quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O que realmente te faz feliz?

Ando me perguntando sobre o que realmente me faz feliz, depois que eu me casei totalmente antes do que havia planejado (ou seja, antes de terminar a faculdade, antes de ter um bom emprego, antes de ter casa própria, antes de eu TER  o bastante para as pessoas me admirarem) muitas coisas deixaram de fazer sentido para mim, e decidi não "abrir mão" de muitas coisas simples,  percebi que sempre valorizei coisas que não tinham tanto valor assim. Percebi que as pessoas vivem um eterno presente sem sentido.

Quanto mais tentamos aproveitar o tempo, quanto mais dispomos das horas e dos dias segundo a convicção de que “tempo é dinheiro”, mais sofremos do sentimento de desperdiçar a vida.

Planejamos estudar, ter um bom emprego, ter uma bela casa, um belo carro, mas tudo isso, nada passa da necessidade de "ter poder" que o capitalismo nos ensina a ser. Tudo baseado em aparecias, para mostrar para os outros como prosperamos, como "crescemos na vida". Sinto-me constantemente pressionada pelo meio em que vivo...preciso estudar idiomas, porque hoje em dia não se consegue nada muito especial sem falar inglês, mas na verdade eu não tenho dinheiro para pagar um curso de ingles, e quando me deparo com as pessoas da faculdade falando Ingles, alemão, frances... me sinto frustrada, parece que todos estão a minha frente. Preciso falar o português super correto, senão, serei muito mal vista (como ja aconteceu) por pessoas "intelectuais". Preciso ter experiencias fora do pais, preciso ter um carro, preciso ter boas roupas, preciso me manter com uma boa aparencia...etc...etc...etc...não estou inspirada para dizer tudo o que me pressiona, mas percebe-se, é tudo para poder impressionar os outros, não importa se querermos ou não. Se vc se propos a entrar em uma universidade como a USP e decide ter uma carreira como a que eu escolhi, vc precisa moldelar-se de acordo com o perfil, mesmo que sendo vc mesmo, consiga realizar as tarefas da carreira de forma satisfatoria, se vc não se encaixar no perfil, simplesmente vc não trabalha, ou trabalha em um pessimo lugar.

Hoje estou confusa porque eu não sei o que vai me fazer mais feliz: correr atras de um intercambio por meio da universidade que estudo, focar isto, estudar idiomas, etc... para tanto, terei que deixar meu marido por um tempo, cada um em um pais, sem saber quais complicações podem ocorrer com esse distanciamento. Ou se eu deveria engravidar e realizar esse grande sonho meu, da minha mãe e do meu marido, ter o curriculo mais fraco e um emprego, provavelmente mais simples. Não estou me importando com o que hoje seria racionalmente correto ou incorreto e sim com o que me fará mais feliz... Eu quero ter uma familia, mas tenho medo de no futuro me arrepender de nao ter corrido atras de uma formação mais solida enquanto eu era mais jovem...mas isso tbm pode não me fazer tanta falta...seilá

Só de uma coisa eu tenho certeza, que estou cansada de me preocupar com o que os outros pensam, que estou cansada de ter que impressionar as pessoas a todo tempo para conseguir status. Estou cansada dessas pessoas que se acham superior a todos os seres humanos da terra. Não me acho mais superior do que o Joãosinho la´da roça, que fala tudo errado, e não tem as vaidades e preocupações que nós urbanos temos.  O Joãosinho é superior porque ele se importa com o que realmente tem valor, por que se alegra com coisas simples.

Eu quero mais é ser feliz.

sábado, 29 de setembro de 2012

Para iniciar...

Eu nunca me esqueço esse dia...
Eu morava com meus pais em uma casa de três cômodos, que ficava em uma viela. A casa era bem pequena e tudo muito simples. Certo dia fomos ao McDonald's e tinha um papel que cobria a bandeja onde se coloca os lanches; nesse papel tinha um mapa de estrelas e alguns planetas que podem ser visto a olho nu. Eu achei o máximo!

Na casa onde morávamos, tinha uma varanda, que era a entrada da casa e também a lavanderia, bem pequenininha com grades de ferro em volta na parte de cima da parede. Tinha um pequeno espaço por onde, entre as grades, eu conseguia ver o céu a  lua estava cheia e radiante, parecia que aquele dia tinha aparecido especialmente para mim, ela se posicionou exatamente no pequeno espaço que eu tinha para ver o céu! e eu me lembro que naquela noite, depois de jantar no McDonald's, enquanto meus pais dormiam, eu deitei no chão da varandinha olhando para o céu e com o mapa de estrelas nas mãos fiquei procurando coisas naquele azul escuro infinito. Eu fique imaginando se tinha alguém lá na lua olhando assim para a terra e sonhando... Depois desse dia eu sonhei (durante o sono mesmo!) varias e vaaarias vezes que eu viajava para a lua e passeava pelo universo.
Hoje eu não sonho mais com a lua, apesar de ela me fazer sonhar muito quando a vejo, sonhos com coisas mais "palpáveis" mas que até então me parecem tão distantes e fantasiosas quanto a lua para mim naquela época. E hoje esse sonhar não me traz aquele "gostinho de esperança", traz uma dor e um desespero, por saber que é tudo tão difícil  podemos tornar mais fácil com esforço e perseverança  mas mesmo depois de todo esforço será somente "menos difícil". Não moro mais em uma casinha simples de três cômodos em uma viela com um escadão na frente do portão onde passavam pessoas 24hs por dia. Moro numa casa, que apesar de ainda ser simples, oferece muito mais conforto, privacidade e um lugar enorme para ver o céu. Também não moro mais com meus pais. Mas essa casa não é minha. Eu sonho com uma casa em um terreno plano, não precisa ser grande, mas precisa ter um espaço nos fundos com arvores e flores, uma rede, banquinhos... eu poderia fazer um texto enorme sobre a casa que eu imagino, pois é a mesma desde sempre.

Hoje eu estava fazendo uma pesquisa na internet de imoveis a venda em minha região, não que eu não soubesse, mas como está caro realizar o sonho da casa propria! com o salário que ganho não posso pagar nem os imoveis  mais baratos que encontrei. Como a pessoa que poderia ouvir minhas queixas esta aqui ao meu lado no 5º, 6º...10º sono! pensei...poque não escrevo em um blog? foi assim que resolvi criar esse blog. Vou falar sobre qualquer assunto que me vier a cabeça e ver se isso me ajuda a tirar a dor. Abraços, até a próxima.